descríticas

20/10/2004

 



 Escrito por Almir Feijó às 14h53 [] [envie esta mensagem]




Stella Adler, Actor's Studio                                   Autógrafo de 'The Duke' Wayne                               'The Duke' John Wayne


O AUTÓGRAFO DE WAYNE

Fiquei bastante relutante em escrever essa mensagem. Até porque, não poderia fazer qualquer afirmação sem ter um mínimo de indícios. Mas, depois da minha experiência (que será abaixo relatada), tenho a coragem de afirmar que essa assinatura de John Wayne não é verdadeira. Estive essa semana na cidade de Foz do Iguaçu e num momento de descontração resolvi dar uma volta no belo país vizinho, Paraguai. Famoso por seu comércio e por suas lojas de grife das mais variadas tendências e gostos, ali você desfruta de um passeio organizado e da possibilidade de conhecer um mundo novo. Um mundo de sonhos e de fantasias, que só o dinheiro pode fornecer. Bem, em uma dessas belas lojas de equipamentos de som e video de todos os gêneros e marcas, existe uma seção especial, exatamente de autográfos de artistas famosos. Eis que lá pude conhecer a verdade: esse autógrafo apresentado pelo Almir é uma falsificação barata, pois o original lá estava à venda por cem mil doláres. Justiça feita ao querido John: registro meu protesto!

Enviado por L. F. Delazari | Curitiba |  29/10/2004 11:58


 Mr. Eastwood, I presume 

       

Clint Eastwood, todo mundo reconhece, é uma lenda viva. Um ícone, um american original. Faz mais de 10 anos - desde 'Os Imperdoáveis' (1992) -  que não oferece um filme realmente bom, já que 'Sobre Meninos e Lobos' é forte, pancada, mas não uma obra-prima, nem mesmo lá grandes coisas (há Sean Penn 'demais' na tela). Clint é tarado por jazz. A maioria de seus filmes, mesmo os ruins, sempre tem algum jazz na trilha. Em alguns, ele próprio toca piano e compõe. Em outros, como 'Bird' (1988), faz homenagens explícitas a seus ídolos - no caso, Charlie Parker, Red 'The Chud' Rodney e Dizzy Gillespie. O que pouca gente sabia, pelo menos  no Brasil, é que ele se amarra também em blues. Sugiro uma olhada em dois lançamentos que chegaram às lojas nos últimos meses. O primeiro é 'Eastwood After Hours - Live at Carnegie Hall'. Incrível, mas é de 1996. Significa que foi feito oito anos atrás. Mostra uma homenagem que vários nomes importantes do jazz prestam a Clint pelo uso que ele faz do gênero em seus filmes. O elenco é de grosso calibre. Jimmy Scott, Thelonious Monk Jr, Hank Jones, Kenny Washington, Joshua Redman, Roy Hargrove and The Carnegie Hall Jazz Band - e uma tribo da pesada. Tocam e cantam durante quase duas horas. No fim, o homenageado dá, ele próprio, uma canja sensacional ao piano. E todos se reúnem numa jam session arrepiante, de quase 10 minutos. Lennie Niehaus, maestro e criador das trilhas de Eastwood, entra em cena várias vezes. É um DVD de altíssima qualidade, imperdível. Cotação: 10. Kenny Barron, James Carter e até um dos filhos de Clint, liderando, no baixo, The Kyle Eastwood Quartet, também sobem ao palco. Há dois pontos altos no material. Primeiro a inesquecível interpretação de Jimmy Scott para 'The First Time Ever I Saw Your Face', do filme 'Play Misty for Me', primeira direção de Clint (emblematicamente, sobre um DJ). E, por último, a criação coletiva da tropa para 'Lester Leaps In', o clássico de Lester Young. Pena que só agora essa jóia tenha chegado ao país. O segundo lançamento, também em DVD, é produzido por um senhor da pesada: Martin Scorsese. Ele mesmo, o diretor de 'Taxi Driver' e ' Caminhos Perigosos'. E dirigido por Clint, responsável pela seleção dos títulos e co-produtor. O material conta um pouco da história do blues, tem excelente arquivo e entrevista, entre outros, Ray Charles e Dave Brubeck. Há filmetes com Art Tatum, Fats Domino, Big Joe Turner e Duke Ellington. O tradicional editor de seus filmes, Joel Cox (com Gary Roach), cortou o material. A trilha sonora - em caixa com quatro CDs - está disponivel no catálogo da Columbia/Legacy. 10, fácil, fácil. Em tempo: Eastwod é também o produtor e roteirista de um exelente documentário sobre Monk, lançado há dois anos no pais, com legendas em português. www.descriticas.com.br

  O filme de Eastwood sobre o gênio do Bebop e do piano Thelonious Monk.


 O AMIGO CURITIBANO

               

Autógrafo de Françoise Sagan                                                                 

A escritora Françoise Sagan  - cujo primeiro livro 'Bom Dia Tristeza' inspirou o maravilhoso filme 'Bonjour Tristesse', de Otto Preminger, EUA, 1958 - morreu há dois meses. Ela tinha pelo menos um velho conhecido, quase amigo, em Curitiba: o brilhante neurologista - cinéfilo e leitor voraz - Jaime Paciornik, falecido em 1994. Muitos anos atrás, no final da década de 70, quando estudou em Paris, Jaimão foi a um jantar na casa de amigos e deu de cara com a escritora, já então débil, magrinha, de saúde frágil. Conversaram, trocaram endereços e mantiveram contatos por bom tempo. No fim do jantar, o médico curitibano pediu uma foto autografada para Françoise. Ela escreveu: 'Para Almir, com toda simpatia'.




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